
Uma vez, enchi a minha mão de bruma.
Quando a abri, a bruma era uma larva.
Voltei a fechar a mão, e então era um pássaro.
E fechei e abri novamente a mão, e na sua palma encontrava-se um homem
de rosto triste, virado para o céu.
Mais uma vez fechei a mão,
e quando a abri já só havia bruma.
Mas escutei uma canção de uma doçura extrema.
Quando decidi internar-me em um deserto algum tempo atrás, enterrei no fundo mais profundo de mim aquilo que eu queria que fosse transformado. E numa noite sem estrelas caiu do céu um ser alado que eu não saberia descrever, disse-me telepaticamente:
“Vejo lágrimas nos seus olhos e sol em sua voz, hei-de ver-te renascer, serás pilar da ponte e névoa de cachoeira. Veja-me com teus olhos de pensar, sinta-me como seus lábios de amar, sacie teus olhos e enlouqueça sua boca.”
Renascer não é só privilégio dos anjos, do poetas e dos sensíveis , pode sim ser um novo caminho pra qualquer um que precise tomar novos rumos e criar para si uma nova direção.
Agora transfigurado sigo meu caminho...
Um comentário:
Estive por aqui lendo um pouco em seu blog!! Abraços Ademar!!
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